sábado, 22 de dezembro de 2012

Quem paga meia?

URL: http://www.ordemlivre.org/2012/12/quem-paga-meia/


Na semana passada, o jornal O Estado de São Paulo publicou um ótimo editorial a respeito do projeto de regulamentação da meia-entrada, que tramita na Câmara.

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Nos últimos anos, um fenômeno relativamente óbvio acabou com o suposto benefício que a meia-entrada poderia trazer aos contemplados: como não podem prever ou controlar o volume de ingressos que serão vendidos pela metade do preço, os promotores de eventos aumentam o preço de todos os ingressos. Para se protegerem do prejuízo caso tenham que vender 80% dos ingressos pela metade do preço, fazem com que aqueles que pagam meia acabem pagando o preço de um ingresso normal (preço que garanta alguma rentabilidade ao empresário).

Não é raro encontrarmos nos cinemas de algumas cidades, o da foto é em Petrópolis-RJ, cartazes sobre “promoções” que garantem ingressos pela metade do preço a todos os clientes. O truque é tão simples que dispensa explicações. Ao invés de "todo mundo paga meia" os cartazes poderiam muito bem dizer “ninguém paga meia” ou melhor: "consequência não-intencional de uma política bem intencionada".

Hoje a meia-entrada não consegue agradar nenhuma parte envolvida na questão. Os ingressos continuam caros para os estudantes, mas são ainda mais caros para os azarados que não conseguem se enquadrar em nenhuma das categorias beneficiadas – o editorial do Estadão fala até nos doadores de sangue – e que escolhem não usar um documento falso.

A limitação no percentual de ingressos a ser vendido com desconto é um avanço do projeto, pois dá ao produtor do evento mínimas condições de calcular sua possível receita. Por outro lado, é inacreditável que voltaremos a entregar à União Nacional dos Estudantes, entidade dominada há anos por militantes do mesmo partido político, o monopólio da emissão das carteirinhas. O monopólio não acabará com o uso indevido do benefício, mas garantirá alguns milhões em receita, todos os anos, para uma entidade aliada do governo.

Aos amigos do governo, qualquer que seja o seu campo de atuação, o monopólio. Sempre.

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