quinta-feira, 21 de julho de 2011

"Estado também paga por Itaquera" - Folha de S.Paulo | Rede Nossa São Paulo

No dia em que Kassab sanciona lei que concede isenção fiscal ao
Corinthians, governo revela que bancará ampliação do estádio para 68
mil lugares

Paulo Favero e Almir Leite - O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - Corinthians e Odebrecht vão construir, em Itaquera, um
estádio para 48 mil pessoas - distante, portanto, dos 68 mil lugares
exigidos pela Fifa para que a arena abrigue a cerimônia de abertura da
Copa do Mundo de 2014.

Isso não significa que a cidade está fora da briga pelo cobiçado
evento: o governador Geraldo Alckmin (PSDB) decidiu bancar, com
dinheiro público, a diferença de 20 mil assentos que garantirá ao
Estado a organização do primeiro jogo do Mundial.

A revelação foi feita ontem pelo diretor superintendente da
empreiteira, Carlos Armando Paschoal. "Isso (a ampliação de 48 mil para
68 mil lugares) não está nos R$ 820 milhões (preço estipulado pela
Odebrecht para a obra). Não está no nosso contrato. Será uma obra a ser
contratada pelo governo de São Paulo".

Segundo a empresa, o custo da instalação (e posterior remoção) dos
assentos adicionais não custará menos de R$ 70 milhões.

Emanuel Fernandes, secretário estadual de Planejamento e
Desenvolvimento Regional e coordenador do Comitê Paulista, confirmou o
envolvimento do poder público na execução da obra - mas defende que se
trata de um "apoio".

"Isso já acontece hoje. Eventos como a Fórmula 1 contam com o apoio
logístico das esferas de governo, inclusive com a montagem de
estruturas provisórias no autódromo. O mesmo vai ocorrer com a abertura
da Copa, pois teremos um grande retorno com a exposição positiva da
cidade e do Estado para o mundo inteiro", afirmou.

Para Fernandes, o caráter provisório da estrutura a ser usada em
Itaquera justifica a participação financeira do Estado.

"O que o Estado vai fazer é dar apoio logístico ao evento de abertura
da Copa e não ao estádio do Corinthians. Após a realização dos jogos,
essa estrutura será retirada. Nenhum parafuso ficará com o
Corinthians", explicou Fernandes, que disse que o governo estuda alugar
a estrutura por "ser mais barato".

Surpreso com a indiscrição de Paschoal, o Corinthians negou a
informação. Até ser desmentido pelo próprio governo.

Negativa. O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, sempre foi
contrário à construção de um estádio para 68 mil pessoas. Diz dispor de
pesquisas que apontam que a ocupação, numa arena deste tamanho, seria
bastante difícil.

Além disso, no clube todos entendiam que o custo de se manter um
estádio maior era inviável. A solução encontrada para ter o primeiro
jogo da Copa foi convencer o governo estadual a completar a soma.

No lado municipal, o prefeito Gilberto Kassab (sem partido) já havia
feito o seu papel ao garantir incentivos fiscais de pelo menos R$ 420
milhões para a obra. Com festa, a sanção do prefeito ao projeto foi
assinada ontem, no próprio canteiro de obras do estádio corintiano. --
http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/16615


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