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Antes da crise de 2008, inúmeros países da União Européia apresentavam índices de endividamento e déficits orçamentários preocupantes e em quebra das cláusulas do tratado de Maastricht. Entretanto, para debelar o colapso da economia mundial, o consenso era política monetária e fiscal a todo o vapor. Recomendados pela Comissão da UE, e sob o título de Plano de Recuperação da Economia Européia, países da zona do Euro foram encorajados a incorrerem em déficits fiscais no curto prazo para que a santa "demanda agregada" não caísse, ainda que condicionados a estruturar reformas e ações para que no longo prazo a solvência fiscal permanecesse assegurada. Em outras palavras: "gastem já! Depois a gente vê o que faz". E a maioria acatou.
A crise de dívida soberana que a Europa enfrenta foi intensificada e, talvez, acelerada pelas medidas de estímulos fiscais adotadas por grande parte dos países da UE. Com políticas desesperadas e sem a menor noção de quão efetivas tais ações seriam, todos embarcaram numa gastança no curtíssimo prazo, piorando ainda mais uma situação fiscal já, na época, preocupante.
A fundamentação teórica por trás das medidas de expansão fiscal no curto prazo, acompanhadas de consolidação fiscal no longo prazo, era de que o multiplicador de Keynes entraria em ação, resultando em maior crescimento econômico, logo maior arrecadação, que por inércia traria os níveis de déficits orçamentários a um patamar razoável ao longo do tempo.
Mas alguma hora o longo prazo chega. E ele chegou. Inesperadamente (para os políticos), os estímulos fiscais não somente foram inúteis e prejudiciais, no sentido de melhorar a economia, como também precipitaram o caos nas finanças públicas da UE. O que acontecerá não é possível saber, pois as decisões serão políticas e não econômicas. Desvalorizarão o Euro para salvar os países perdulários? Obrigarão os países a equilibrarem seus orçamentos? Aceitarão estes países tais exigências? Ou sairão da união monetária e desvalorizarão a sua nova moeda nacional?
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