quinta-feira, 20 de junho de 2013

Em busca do verdadeiro protesto libertário: a desobediência civil

URL: http://libertarios.org.br/liber/posts/44


Fazer um protesto para baixar a passagem em vinte centavos é fazer o jogo do governo. O governo quer que as pessoas protestem contra o transporte público, assim como quer que protestem contra o atual estado da educação e da saúde. Isso por um motivo muito simples: essa é a lógica da verba.

Assim funciona a lógica da verba: o governo toma conta, direta ou indiretamente, de um determinado serviço. Como exemplo, vou usar a educação. Ele começa a prestar o serviço e, dados os incentivos naturais da burocracia, que não são culpa do prestador direto (o professor), o serviço é muito mal prestado. A população então sai às ruas, clamando por maior estruturação para que o professor possa dar aula. O governo, com isso, ganha força política para aumentar os impostos, sob o argumento de que vai aplicar mais dinheiro na educação. O dinheiro, obviamente, vai para todos os ralos, e o governo aumenta ainda mais a burocracia, piorando a estrutura do professor. A população sai novamente às ruas pedindo mais verba e o governo pega mais impostos, em um círculo vicioso sem fim.

O raciocínio que se aplica na educação, se aplica no transporte. As empresas prestadoras de serviço de transporte, cartelizadas sob a batuta das federações de transporte, em um arranjo nojento com as secretarias de transportes municipais, estão se regozijando com essa manifestação, que resultará em duas situações. Ou o governo vai subsidiar ainda mais o transporte, ou vai conceder mais isenções para diminuir a tarifa. Isso se a tarifa diminuir. E, no final, o cartel das empresas de ônibus sairá vitorioso, assim como alguns políticos coligados a essas empresas, todos mais ricos às custas da população.

Ver boas pessoas, pessoas que se importam com o próximo, tão mal guiadas e servindo de massa de manobra não só para partidos de esquerda, mas para políticos, lobistas e empresas oportunistas é algo que me deixa verdadeiramente triste. Essas pessoas, na sua inocência e altruísmo, mereciam coisa melhor.

E que coisa melhor seria essa? Bem, fica aqui o meu sonho.

Eu sonho ver um movimento político libertário enxergando o seu passado e os pensadores que nos inspiraram. Refletindo sobre as obras de Spooner e Paine, em busca da verdadeira manifestação libertária, aquela que está no começo e no fim da ação livre: a desobediência civil pacífica. Não um protesto bobo, submisso às regras dessa democracia doentia e irracional, mas uma ação positiva pacífica e revolucionária, como fez Thoreau ao se recusar a pagar impostos para não ver seu dinheiro usado pelo governo americano para matar mexicanos, ou como fez Gandhi quando andou quase 400 km rumo ao mar, para produzir sal, ignorando a proibição do governo inglês.

A minha proposta é bem simples: aluguemos um ônibus, ou uma van, e marquemos uma passeata de alguns poucos quilômetros, o suficiente para meia hora de caminhada, em direção a esse ônibus ou van. Chegando lá, vamos cobrar apenas R$ 1,00 (um real) para transportar pessoas de um bairro a outro na cidade, cuspindo na cara da prefeitura e da sua regulamentação que carteliza o transporte público da cidade, em defesa do livre-mercado de transportes. A ideia era que o ponto final desse ônibus fosse a Câmara de Vereadores ou a própria Prefeitura, onde faríamos outra grande manifestação por Menos Estado e Mais Liberdade.

Termino com uma frase de outro precursor da liberdade: “se uma lei é injusta, o homem não somente tem o direito de desobedecê-la, ele tem a obrigação de fazê-lo”. Alguém topa vir comigo e fazer do Brasil um lugar mais livre?

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