concretas até 90 dias após a posse
"É uma revolução política que vai gerar campanhas eleitorais mais
responsáveis", diz coordenador das ONGs
FELIPE CARUSO
DE SÃO PAULO
Para evitar que promessas de campanha sirvam só para preencher
propaganda eleitoral, um projeto de emenda constitucional propõe que o
cumprimento delas seja obrigatório para o presidente, os governadores e
os prefeitos.
O projeto apresentado na quarta-feira pela Rede Nossa São Paulo, que
reúne mais de 600 ONGs, exige que os políticos eleitos anunciem, em até
90 dias após a posse, um Programa de Metas e Prioridades para o mandato.
Diferentemente dos Planos Plurianuais, que estabelecem as diretrizes
para os grandes projetos e não incluem promessas de campanha, a emenda
institui metas quantitativas e mensuráveis para todas as áreas da
administração pública e subdivisões regionais das esferas de poder.
Pelo projeto, o Executivo deve apresentar a cada quatro meses
relatórios de evolução das metas.
"É uma revolução política que vai gerar campanhas eleitorais mais
responsáveis, permitir uma avaliação mais objetiva dos políticos e,
consequentemente, um voto mais consciente ", diz Oded Grajew, 66,
coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo.
Um dos idealizadores da iniciativa popular da Lei da Ficha Limpa,
Grajew diz que a proposta da emenda constitucional não é uma reação à
determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) de inaplicabilidade da
norma nas eleições de 2010, mas uma consequência da mobilização popular
gerada.
"A presidente Dilma fala muito em eficiência na gestão. Aécio Neves
(PSDB) também falou sobre o assunto em seu discurso no Senado. Será um
teste para vermos a coerência do Congresso. Quero ver a justificativa
de quem for contra."
O projeto já foi enviado à Secretaria-Geral da Presidência da
República. Procurada pela reportagem, a assessoria do órgão não
respondeu sobre um eventual apoio à proposta.
Os idealizadores pretendem levá-la ao Congresso para ser abraçada por
deputados e senadores.
Também sugerida pela Rede Nossa São Paulo, a Lei do Programa de Metas
foi aprovada na cidade de São Paulo em 2008, dando origem à Agenda 2012.
A emenda à Lei Orgânica do Município, porém, não aumentou a eficiência
da gestão do prefeito Gilberto Kassab. Das 223 metas estabelecidas,
apenas 10% foram cumpridas.
Faltando 21 meses para o fim do mandato do prefeito, algumas obras,
como a construção de três hospitais e a criação de 66 quilômetros de
corredores de ônibus, não saíram do papel. --
http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/14929
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