quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Marta Suplicy, acreditem!, é vítima dos métodos truculentos de Haddad e sua turma

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Eu não o chamo de Fernando Gugu Dadá Haddad, o leninista cut-cut, à-toa. Se preciso, o baby face que encanta hoje alguns colunistas da imprensa paulista, sabe ser truculento. Leiam o que segue abaixo. Volto depois:

Grupo de Haddad ameaça aliados de Marta no PT com corte de verba

Por Bernardo Mello Franco, na Folha:
Aliados do ministro Fernando Haddad (Educação) aumentaram a pressão para tentar atrair petistas ligados à senadora Marta Suplicy na disputa interna que definirá o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo em 2012. Integrantes do grupo dele usam os nomes do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff e dizem que os colegas que permanecerem fiéis à ex-prefeita podem ser retaliados com perda de espaço no governo e até de verba para futuras campanhas. O objetivo é agravar o isolamento de Marta no partido e forçá-la a abrir mão da candidatura, o que evitaria a realização de prévias na sigla.

Haddad disse que não tomou conhecimento da prática e não autorizou nem apoia qualquer ameaça a rivais. A Folha apurou que, em conversas de bastidor, articuladores dele têm dito que a fidelidade a Marta será vista como uma insubordinação ao ex-presidente, que faz campanha aberta para lançá-lo. A pressão combina dois argumentos: 1) Lula pode exercer poder de veto com doadores em futuras campanhas; 2) Quem permanecer ao lado da senadora também enfrentaria dificuldades nas relações com o Planalto -uma referência indireta à distribuição de cargos e verbas federais. Um dos principais articuladores de Haddad repetiu esses dois pontos à reportagem “No PT, não existe vitória se Lula for derrotado”, disse. Aqui

Comento
Terminei de ler na segunda-feira um livrão, em vários sentidos, sobre o comunismo. Ainda conversaremos mais a respeito. O PT, evidentemente, não é comunista, mas é um dos herdeiros daquela tradição. A disputa de correntes dentro do partido nunca passou de uma mímica canhestra de democracia interna — já que a externa, de verdade, eles deploram; daí que tentem sempre sabotá-la. Na prática, vigora ali o centralismo democrático, esse delicioso oximoro que significa que a direção decide, e o resto cala a boca.

No PT, “o partido” é Lula. Raramente uma direção ou um líder locais conseguiram contrariar a sua vontade. O Apedeuta faz na seção paulista do partido o que fez na maranhense: lá, impôs a aliança com Roseana Sarney, e os que não aceitaram a determinação foram, na prática, punidos. Como já lembrei aqui muitas vezes, todas as pessoas que ousaram desafiar Lula na legenda foram esmagadas. Ele aceita de bom grado que um ex-inimigo se ajoelhe a seu pés, em sinal de sujeição, a exemplo de Collor e do próprio Sarney. Mas jamais aceitará ser nem mesmo contraditado por um amigo. E ponto final.

Eu jamais votaria em Marta — na verdade, jamais votaria num petista, como todos sabem. Mas, dada a história do partido, é evidente que a senadora está sendo vítima de uma prática extremamente truculenta, injusta mesmo. Afinal, ela tem muitos serviços prestados à causa. Lula não inova. Sempre foi assim. Quando três de oito deputados petistas votaram em Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, contra Paulo Maluf, o Babalorixá de Banânia comandou pessoalmente os esforços para expulsá-los: José Eudes, Beth Mendes e Airton Soares. Cristovam Buarque e Eduardo Suplicy ousaram, certa feita, se considerar candidatos a candidatos à Presidência. Lula os fulminou. Um teve de sair do partido; o outro é tratado a tapas e pontapés.

Não sei se Marta resiste à pressão. Acho que não! Afinal, o partido tem dono. Mesmo esmagada, dificilmente deixaria o partido. O ritual de humilhação faz parte da mística da esquerda. O centralismo democrático, mesmo quando reduzido à decisão de um só — antes de Lula, houve Stálin… —, é que é a verdadeira infalibidade papal. O Santo Padre, à diferença do que se supõe, sempre decide de forma colegiada.

Eis aí: estamos vendo o que Lula faz com amigos recalcitrantes. Dá para imaginar como trata aqueles que considera inimigos. Ou melhor, ninguém precisa imaginar: dossiês, quebras de sigilo e afins evidenciam os métodos dessa gente.

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