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segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Poder público perde controle e obras da Copa já estão R$ 2 bilhões mais caras - politica - politica - Estadão
domingo, 27 de novembro de 2011
Uso de “presidenta” poderá ser obrigatório
URL: http://www.implicante.org/noticias/uso-de-presidenta-podera-ser-obrigatorio/
Esse pessoal do PT perdeu completamente a noção do ridículo, se é que um dia eles tiveram algum. Leiam o que o que informa o colunista Lauro Jardim, de Veja:
Está na pauta da CCJ da Câmara nesta quarta-feira um projeto da ex-senadora Serys Slhessarenko que vai deixar Dilma Rousseff feliz.
Apresentado em 2009, o texto determina o uso obrigatório da flexão de gênero para nomear profissão ou grau em diplomas. Ou seja, o "presidenta" de Dilma Rousseff vai virar lei e não mais um termo opcional como uma vez José Sarney ensinou à Marta Suplicy em plena sessão do Senado.
O relator de matéria tão interessante para Dilma é nada menos do que ele… Paulo Maluf.
Comentário:
Bom, caso essa lei ridícula seja aprovada, esperamos que a flexão de gênero seja obrigatória para outros verbetes como militANTA e, em tempos de invasão, estundANTA.
Leia também:
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Governo admite que “Programa de Aceleração do Crescimento” não acelera o crescimento
Até setembro deste ano, o governo petista concluiu apenas 11,3% do total de obras prometidas para serem entregues até 2014. No ritmo atual, dificilmente o governo cumprirá a promessa de entregar as construções até o fim do mandato da presidenta Dilma Rousseff. Numa visão otimista, o Planalto admite que, do total de obras, 26% não serão entregues até 2014.
Leiam o que informam Dimmi Amora e Gustavo Patu na edição desta quarta (23) da Folha de São Paulo. Cometários ilustrados logo abaixo.
Os investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) não contribuíram para a aceleração do crescimento econômico neste ano, segundo Nelson Barbosa, secretário-executivo do Ministério da Fazenda.
A avaliação foi feita em cerimônia oficial que procurava transmitir justamente a imagem oposta: o segundo balanço oficial do PAC 2, a etapa do programa iniciada no governo Dilma Rousseff.
No comando da apresentação, a ministra Miriam Belchior, do Planejamento, exibiu o tradicional rosário de cifras, gráficos e vídeos publicitários destinados a enaltecer os resultados obtidos.
O PAC 2 “tem sido determinante para a continuidade do crescimento sustentável da economia brasileira”, começava o calhamaço de 180 páginas distribuído aos presentes no Palácio Itamaraty.
“Em 2011, o PAC 2 também alcançou volume de pagamento do Orçamento Geral da União 22% superior em comparação com o mesmo período de 2010, ano de melhor desempenho do programa”, afirmava o material.
Ao lado da ministra, Barbosa, número dois na hierarquia da Fazenda, contou uma história diferente. “Houve vários ajustes e reprogramações nos programas do governo, no PAC, no Minha Casa, Minha Vida, e essas reprogramações proporcionaram investimento relativamente estável em relação a 2010.”
Questionado por jornalistas, foi mais explícito: “A manutenção do investimento do PAC no mesmo nível do ano passado significa que o PAC neste ano não contribuiu para acelerar o crescimento”.
Como a Folha noticiou na semana passada, os investimentos do PAC com recursos do Orçamento caíram 14% nos primeiros dez meses do ano, na comparação com o mesmo período de 2010.
(…)
Para edulcorar os números, o balanço do PAC 2 incluiu, entre os desembolsos com recursos orçamentários, gastos do programa Minha Casa, Minha Vida, que não são investimentos e antes eram contabilizados à parte.
Houve outros expedientes para engordar as cifras, já utilizados em balanços anteriores, como a contabilização de financiamentos para a aquisição de imóveis usados, sem impacto na economia.
Íntegra aqui (para assinantes)
Comentário:
Poderíamos discorrer sobre as falácias do governo petista, e sua capacidade de enganar a população através da divulgação de números estratosféricos que quase ninguém tem a paciência e capacidade de atestar veracidade. Mas preferimos ilustrar este espaço destinado aos tradicionais comentários com um vídeo criado em 2010, mas que permanece atual por corroborar com tudo o que informa a notícia da Folha de São Paulo. Confiram:
Clique aqui para assistir o vídeo inserido.
E aí, precisa dizer mais alguma coisa?
Leia também:
- Apesar de promessa de Dilma, governo corta investimentos
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Vídeo exclusivo: o “rolo” do Governador do Ceará
URL: http://www.implicante.org/blog/video-exclusivo-o-rolo-do-governador-do-ceara/
Chegou a nós o seguinte vídeo, gravado em evento público, no qual o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), fala sobre desapropriações em termos que… Bom, vejam o vídeo:
Clique aqui para assistir o vídeo inserido.
Comentário
O vídeo tem trechos intrigantes, como “aí dá para verticalizar”, falando de algo que parece estações de metrô em áreas que seriam/serão desapropriadas pelo Governo do Ceará. E mais: “então, vê se a gente faz um rolo aí…”. Um “rolo”? Talvez fosse uma ocasião coloquial, um papo sem grandes compromissos protocolares, mas ainda assim o que seria esse “rolo”? Por mais que seja uma conversa animada de amigos, ou coisa que o valha, falar em “rolo” após citar desapropriações e a oportunidade de verticalização delas decorrente, convenhamos, é no mínimo inquietante.
Também chama atenção a parte do “eu desaproprio” – dita pelo governador – seguida por “constrói a estação e temos direito de construir em cima”. E o governador continua: “eu construo a estação, tenho dinheiro para isso, mas já faça um projeto e preveja a verticalização…”. Sobre o dinheiro, Cid fala “contabiliza aí, como uma coisa pra ser…”, mas é interrompido pelos pedidos do “tatuzão” (equipamento usado para perfurar túneis de metrô e demais obras viárias).
A pessoa que gravou o vídeo perguntou detalhes para Cid Gomes, mas ele não quis responder – estava de saída para Portugal. Tomara que a tal “grande imprensa” se interesse por isso e ao menos procure saber que “rolo” é esse. Pode ser algo ótimo para a população cearense. Ou nem tanto. Aguardemos a entrevista que Cid Gomes ficou devendo (já deve ter voltado de Portugal).
Leia também:
BC viu sinal de fraude, mas aprovou venda do Panamericano para a Caixa
Reportagem do Estadão traz mais detalhes sobre a venda do Banco Panamericano à Caixa Econômica Federal em 2010:
O Banco Central (BC) já tinha indícios de irregularidades no Panamericano quando aprovou a venda de parte do banco para a Caixa Econômica Federal, em julho de 2010. Com a autorização, a Caixa pôde depositar a segunda e última parcela do pagamento do negócio, no valor de R$ 232 milhões, segundo depoimento do vice-presidente de Finanças do banco, Márcio Percival, à Polícia Federal. O BC diz que a autorização final só foi dada em novembro daquele ano.
Documentos internos do BC anexados aos processos que apuram as fraudes de R$ 4,3 bilhões no então banco de Silvio Santos mostram que os técnicos da instituição começaram a desconfiar do Panamericano em maio. Em julho, os inspetores investigavam uma diferença de R$ 3,9 bilhões na contabilização de carteiras de crédito cedidas para outras instituições financeiras. Foi justamente nesse tipo de operação que se concentraram as fraudes que quebraram o banco.
Para aprofundar as investigações, ainda em julho, o BC enviou pedidos de informações para os nove bancos com os quais o Panamericano tinha mais operações de venda de carteiras de crédito. O objetivo era checar os números fornecidos pelo Panamericano. Mesmo assim, no dia 19 daquele mês, o BC aprovou, por ofício, a venda de 49% do capital social do banco para a Caixa. A publicação no Diário Oficial da União, no entanto, só veio em novembro.
Seis dias depois, em 26 de julho, a Caixa depositou o último pagamento pelo negócio, na conta da Silvio Santos Participações Ltda., no banco Bradesco. A operação, no valor total de R$ 739 milhões, tinha sido fechada em dezembro do ano anterior.
Em depoimento à Polícia Federal, o vice da Caixa, Márcio Percival, que esteve à frente das negociações pelo banco do governo, disse que a “segunda parcela foi paga por cheque à Silvio Santos Participações, após a aprovação da venda pelo Banco Central, em julho de 2010, por meio de ofício”. Ainda segundo ele, “a aprovação foi publicada no Diário Oficial só em novembro de 2010″.
Procurada, a Caixa informou que só ” recebeu a informação da existência de problemas na contabilidade do Panamericano somente em setembro de 2010″.Escândalo. Em setembro de 2010, o BC concluiu as investigações e confirmou que havia um rombo, então estimado em R$ 2,5 bilhões. No início daquele mês, comunicou os problemas a Silvio Santos. O empresário tomou um empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Em novembro, o escândalo veio a público, quando o Panamericano destituiu toda a antiga diretoria, substituindo os executivos por profissionais indicados pela Caixa. Em janeiro, descobriu-se que o rombo era ainda maior. Feitas todas as contas, chegou-se a R$ 4,3 bilhões.
Comentário
Segundo o depoimento prestado, o Banco Central já via indícios de fraude, mas ainda assim a CEF, também do governo, manteve o negócio. O Banco Panamericano fazia parte do grupo empresarial que incluía o SBT, e durante a campanha presidencial a emissora lançou a história falsa da “bolinha de papel”, depois desmentida pelo JN da Globo, prejudicando assim a candidatura oposta àquela apoiada pelo mesmo governo que viu irregularidades, mas ainda assim pôs a grana no negócio. E antes disso o banco já havia quitado “dívidas de campanha” de Lula, em 2006. São os fatos.
Leia também:
- PanAmericano disfarçou repasses que ajudaram a quitar dívida de Lula em 2006
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Escola Austríaca de Economia, segundo Ubiratan Iorio
URL: http://escolaaustriacadf.blogspot.com/2011/11/escola-austriaca-de-economia-segundo.html
por Ubiratan Jorge Iorio (extraído do livro Ação, Tempo e Conhecimento)
A economia da Escola Austríaca, assim como a epistemologia e a filosofia política, também deriva do que denominamos de tríade básica — ação, tempo e conhecimento — e se propaga por meio dos conceitos de utilidade marginal, subjetivismo e ordens espontâneas, que são os seus elementos de propagação.
Com base no núcleo seminal e nesses elementos propagadores, os economistas austríacos, desde os primórdios com Menger, erigiram uma obra extraordinariamente rica sob o ponto de vista científico, mas que funciona perfeitamente — evidentemente, naquilo que se pode chamar de "perfeição" em uma ciência social — quando tenta explicar o mundo real.
Vejamos resumidamente cada um dos seis campos da teoria econômica que consideramos essenciais para a compreensão do pensamento austríaco.
(a) processo de mercado
A Escola Austríaca não estuda, ao contrário da mainstream economics, mercados em estado de equilíbrio. Nem tampouco utiliza a famosa classificação dos mercados segundo as suas "formas" (concorrência perfeita, oligopólio, concorrência monopolista e monopólio). Ela trabalha com a hipótese de que os mercados são processos que tendem ao equilíbrio (porque os agentes são racionais e aprendem com os erros), mas que, em cada momento distinto do tempo dinâmico, não estão em suas "posições" de equilíbrio.
Para entender isto, basta mencionarmos os principais elementos da teoria. Em primeiro lugar, os mercados são movimentados pela ação humana de seus participantes, tanto no lado da demanda quanto no da oferta. Em segundo lugar, a ação humana se dá ao longo do tempo dinâmico, em que cada instante é uma oportunidade de aprendizado. Terceiro, as transações nos mercados se realizam sob condições de limitação e de dispersão do conhecimento. Quarto, os mercados são ordens espontâneas, sujeitando-se, portanto, a permanentes mutações. Quinto, a ação humana é subjetiva.
Como esperar, então, que o mundo real possa apresentar mercados em "equilíbrio"? Este é um dos principais pontos da teoria austríaca. Os mercados são processos de erros e tentativas, um permanente procedimento de descobertas de novas oportunidades, com uma dinâmica que não dá espaço para o equilíbrio.
(b) função empresarial
A função empresarial é a capacidade individual subjetiva de perceber as possibilidades de ganhos existentes nos mercados. Portanto, ela nada mais é do que uma categoria de ação. Sendo assim, a ação humana pode ser considerada como um fenômeno empresarial, mais especificamente aquela que realça as capacidades perceptiva, criativa e de coordenação do agente.
Como em qualquer ação humana, a ação empresarial acontece em ambiente de incerteza genuína, dadas as limitações de nosso conhecimento. Requer, por sua vez, criatividade e desprendimento, já que o futuro é incerto e uma ação empreendedora tanto pode dar bons resultados como maus resultados. A ação empresarial é um conjunto de escolhas ao longo do tempo em ambiente de incerteza e, como tal, implica em um conjunto de outras ações alternativas a que se deve forçosamente renunciar e o custo é o valor subjetivo dessas ações a que se renuncia.
Como os meios sempre são escassos face aos fins, os agentes buscam primeiro os fins aos quais dão maior valor e apenas depois os demais, relativamente menos importantes. Cada ação é motivada pela crença subjetiva de que os fins escolhidos possuem um valor maior do que o valor dos custos da escolha de uma ação e a diferença entre ambos é o lucro, o elemento que explica a ação.
Para a Escola Austríaca toda ação embute um componente empresarial puro e criativo em sua essência, que não requer qualquer custo e que é exatamente o que permite aproximar o conceito de ação do conceito de função empresarial.
(c) debate sobre o cálculo econômico
Mises, ainda nos anos 20 do século passado, percebeu claramente que o sistema socialista impossibilita o cálculo econômico. Seu argumento era simples: o cálculo econômico requer que os planejadores conheçam os preços; estes, por sua vez, para que possam ser considerados como preços de fato (e não pseudo-preços) pressupõem a existência do processo de mercado, em que as ações de demandantes e ofertantes possam fluir normalmente; e os mercados, para que possam existir, requerem a propriedade privada. Ora, o socialismo não contempla a propriedade privada; portanto, não faz sentido falar em mercados em num sistema socialista; se não há mercados efetivos, não pode haver preços e, não havendo preços, o cálculo econômico torna-se impossível. Por essa razão, Mises afirmava categoricamente, em seu debate com os economistas socialistas, que o sistema que defendiam guiava-se às cegas e estava, portanto, fadado ao fracasso, pela desorganização social e econômica que embute. A história comprovou — e ainda está comprovando — que Mises estava certo.
Os órgãos centrais nesses sistemas são formados por pessoas, e não é razoável admitir que por melhores e mais "puras" sejam suas intenções, possuam o dom da onisciência, que lhes permita conhecer e interpretar os conjuntos dispersos de informações individuais, que estão se alterando e renovando ininterruptamente ao longo do tempo.
Os planejadores nem conseguem saber qual o seu o grau de ignorância sobre as informações necessárias para promover o cálculo correto e a consequente coordenação. E quanto maior o grau de coerção imposto, menores são as possibilidades de realização dos planos, porque a maior repressão tende a aumentar a ausência de coordenação, provocando distorções nos mercados que são progressivamente crescentes com o tempo.
(d) teoria monetária
Os pontos principais da Escola Austríaca a respeito da teoria monetária podem ser resumidos em cino: o primeiro é que os efeitos das variações do estoque de moeda afetam desigualmente os preços relativos, a estrutura de capital, os padrões de produção da economia e alteram os níveis de emprego dos fatores de produção. Já em 1912, em sua obra monumental Teoria da Moeda e do Crédito, Mises chamava a atenção para o fato de que aumentos na oferta de moeda não produzem benefícios para a sociedade, porque eles não possuem capacidade de alterar os serviços de troca proporcionados pela moeda, apenas reduzem o poder de compra de cada unidade monetária.
O segundo é que os ciclos econômicos são fenômenos que, embora se manifestem no chamado setor real da economia, têm causas exclusivamente monetárias.
O terceiro é que a moeda, como qualquer outro bem, tem o seu valor decretado pelo princípio da utilidade marginal, como demonstrou Mises naquela obra, ao resolver o então denominado problema da circularidade austríaco, com o seu famoso teorema da regressão, como veremos no capítulo dedicado à teoria monetária da Escola Austríaca.
E o quarto é que os austríacos definem a inflação não como um simples "aumento contínuo e generalizados de preços", uma vez que essa, na verdade, é a manifestação da inflação; eles a definem como uma queda permanente no poder de compra da moeda, provocada, em úl tima instância, pela emissão de moeda e pela consequente diminuição de sua utilidade marginal.
O último ponto é que a moeda, vale dizer, o sistema monetário, é uma ordem espontânea, um fenômeno que passa permanentemente por evoluções que são resultantes da ação humana, mas não de qualquer planejamento.
(e) teoria do capital
A teoria do capital austríaca, sem dúvida, é um elemento que diferencia essa escola de pensamento de todas as demais, pelo simples fato de que estas não possuem algo que se possa denominar de teoria do capital.
Quem mais contribuiu para uma concepção austríaca do capital foi, sem dúvida, Böhm-Bawerk, que seguiu a tradição iniciada por Menger. Mises, Hayek e outros austríacos trabalharam fortemente para o seu desenvolvimento.
Seu ponto central é o conceito de estrutura de capital ou estrutura de produção, que considera que um bem, desde que começa a ser produzido até ficar acabado na forma de um bem final, passa por várias etapas no processo produtivo. Esses diversos estágios correspondem à estrutura de capital da economia. Portanto, o capital não é homogêneo e muto menos constante, como os modelos macroeconômicos o consideram. Ele é essencialmente heterogêneo e varia com os demais fatores de produção ao longo do tempo.
A heterogeneidade dos bens de capital e o fato de que as economias possuem estruturas de capital levam, entre outras hipóteses (como a do individualoismo metodológico) os economistas austríacos à rejeição da análise macroeconômica.
(f) teoria dos ciclos econômicos
A ABCT (Austrian Business Cycles Theory) foi desenhada por Mises em seu tratado de 1912, posteriormente desenvolvida por Hayek nos anos 30 e depois aperfeiçoada por outros economistas da tradição de Menger, dos quais o mais criativo é o americano Roger Garrison.
É, ao mesmo tempo, uma teoria da moeda, do capital e dos ciclos econômicos. Mostra como a emissão de moeda produz o efeito de diminuir a taxa de juros e, inicialmente, enganar os agentes — que, acreditando que se trata de maior poupança, embarcam em investimentos de maturação mais longa, alargando, assim, a estrutura de capital da economia. Posteriormente, quando esses agentes descobrem que na realidade não se tratava de poupança, mas de moeda "fantasiada" de poupança, a taxa de juros sobe e isso leva a um encolhimento da estrutura de produção, fenômeno que produz desemprego (e que ficou conhecido como efeito concertina ou efeito sanfona), que é maior nos setores mais afastados da produção de bens finais, que foram exatamente aqueles setores inicialmente beneficiados pela expansão monetária.
Assim, a inflação — ou seja, aquela quantidade adicional de moeda que entrou na economia sem lastro — acabará provocando o desemprego de fatores de produção. Como disse Hayek, não há escolha entre comer demais (emitir moeda sem lastro real) e ter indigestão (recessão), porque ambas são inseparáveis, a primeira acarretando a segunda. Essa conclusão — de que o desemprego é a causa natural da inflação — mostra quão equivocadas são as análises keynesianas que ficaram conhecidas como a curva de Phillips, que postulavam a existência de um trade off ou dilema entre inflação e desemprego, de modo que, se algum governo desejasse combater a inflação, teria que aceitar uma taxa de desemprego de mão de obra maior ou, se quisesse reduzir o desemprego, seria forçado a aceitar uma taxa de inflação mais elevada.
Conclusões
Procuramos neste capítulo resumir a multiplicidade de fatores cujo conjunto constitui a Escola Austríaca de Economia, mostrando a importância de cada um deles na construção do edifício e também como se integram entre si.
Ao núcleo seminal ou tríade básica, formada pelo conceito de ação humana, pela concepção dinâmica do tempo e pelo reconhecimento de que o conhecimento possui limitações, acrescentou-se o que se pode denominar de elementos de propagação, a saber, a doutrina da utilidade marginal, o subjetivismo e o conceito de ordens espontâneas. É interessante para o leitor parar neste ponto e fazer o exercício de certificar-se de que cada um desses três últimos elementos decorre dos três primeiros, em maior ou menor intensidade, o que permite que sejam denominados de propagadores.
De posse desse aparato, mostramos suas implicações nos campos da filosofia política, da epistemologia e da economia.
Ação, tempo e conhecimento: eis o universo fascinante da Escola Austríaca de Economia!
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Ubiratan Jorge Iorio é economista e professor de UERJ. Visite seu website.